A greve que mudou a história da Bahia

A greve que mudou a história da Bahia

A greve do Polo Petroquímico de Camaçari, deflagrada no dia 27 de agosto de 1985, representou a primeira grande mobilização sindical no ramo químico e petroquímico brasileiro após o golpe militar de 1964.  Tal movimento paredista em setor econômico considerado pelo governo como de Segurança Nacional deixou no seu rastro grande número de dirigentes sindicais demitidos e com os seus nomes lançados em “listas negras de exclusão”, impossibilitando-os de continuarem a trabalhar no referido ramo industrial e, em muitos dos casos, em qualquer outro.

À primeira vista não se tratou apenas de uma grande mobilização operária por melhorias salariais, mas sim o ápice de uma movimentação política que teve sua origem no período imediatamente anterior ao golpe militar de 1964, à própria criação da indústria petroquímica brasileira e à escolha da Bahia, exatamente da planície de Camaçari, a meio caminho entre os campos de gás natural: a Refinaria Landulpho Alves e a cidade de Salvador, como localidade adequada à implantação de um vasto parque industrial químico e petroquímico.

Com a implantação da indústria de petróleo, na década de 50, criou uma mão-de-obra industrial especializada, politicamente ativa, e que logo buscou se organizar em sindicatos. Em 1954 foi fundado o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Extração de Petróleo do Estado da Bahia – STIEP, e com o início de operação da Refinaria Landulpho Alves, em1959, foi constituído o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Destilação de Petróleo da Bahia – SINDIPETRO. No início dos anos 60. Com pessoal técnico existente na Petrobrás, iniciou-se o projeto de construção do Conjunto Petroquímico da Bahia – COPEB, inicialmente uma fábrica de fertilizantes. Ato contínuo e sob o ímpeto de forte movimento sindical da época, funda-se, em 15 de abril de 1963, a Associação dos Trabalhadores na Indústria Petroquímica do Estado da Bahia – ASPETRO, que iniciou desde logo o processo de investidura sindical, caminho formal necessário para sua transformação em Sindicato.

O golpe militar de 1964, reprimindo duramente o movimento sindical e os partidos políticos que constituíam a base política do movimento obreiro, investiu contra a ASPETRO no fluxo do desmonte do sindicalismo e perseguição aos militantes do Partido Comunista Brasileiro – PCB. A ASPETRO sofreu intervenção do Ministério do Trabalho, suas lideranças foram presas e o processo de investidura que tinham na sede do SINDIPETRO e na Concha Acústica de Mataripe, palco para suas assembleias e grandes movimentações operárias, com as entidades sindicais sob intervenção, transferiram o teatro de suas lutas para a clandestinidade. Somente em 1967, O Ministério do Trabalho suspendeu a sua intervenção na ASPETRO.

Em poucos meses, a Assoicação admitiu centenas de novos associados nas empresas Tibrás, Paskin, COPEB, Safron, as únicas até então existentes em Camaçari. O crescimento da entidade se colocava como extremamente necessário ao processo de transformação desta em sindicato. Em 1973 foi efetuada a primeira eleição da ASPETRO e a posse da nova diretoria aconteceu na sede recém-alugada na Rua Portão da Piedade, Edifício São Jorge nº 11. Em 1974, ao lado dos esforços para transformar a ASPETRO em sindicato, foi efetuada uma grande campanha buscando novos associados que possibilitassem fortalecer as finanças da associação, pois o órgão de classe estava arcando com custos periciais dos processos judiciais onde os trabalhadores das empresas Tibrás e Safron Teijin reclamavam na Justiça do Trabalho o pagamento de adicional de periculosidade. Em 1974 começou a funcionar a Melamina S.A., empresa do grupo Ultra, o que possibilitou mais de 250 associados à ASPETRO.

Mas os órgãos de informação não estavam alheios ao trabalho dos jovens operários sindicalistas. Em julho de 1975, numa vasta operação denominada “Acarajé”, desencadeada pelo DOI/CODI do III Exército e que teve por objetivo desarticular o PCB no Estado da Bahia, o segmento sindical deste partido foi duramente atingido com prisões e condenações por crime contra a Segurança Nacional. A repressão política foi implacável e efetuou várias detenções de militantes comunistas na nascente indústria química baiana. Membros da diretoria da ASPETRO foram presos e acusados de crimes contra a Lei de Segurança Nacional. As prisões, usadas como método de terrorismo social e repressão política, desorganizavam as atividades da associação com o consequente esvaziamento da sua diretoria e do seu quadro de associados. A partir do ano de 1976 a ASPETRO voltou a se organizar com remanescentes da sua diretoria que não haviam sido atingidos pela repressão do governo militar e o trabalho foi retomado na medida do possível.

Também em 1976 começaram efetivamente as obras de montagem das fábricas, tanto as de 1ª Geração, aquelas destinadas a produzir matérias primas básicas derivadas do gás de petróleo e nafta, como as de 2ª Geração, aquelas voltadas à produção de termoplásticos, fertilizantes, pigmentos etc. A Petroquisa, subsidiária da Petrobrás, gerenciava os interesses governamentais emprestando ao novo parque industrial que se construía uma cadeia de comando unificada, uma prática de política de pessoal semelhante à da Petrobrás e o que é mais importante, contava com a DIVIN (Departamento de Inteligência) para controlar o movimento político e as possíveis mobilizações operárias, arbitrando quem deveria e quem não deveria trabalhar nas empresas químicas e petroquímicas.

Em Camaçari estavam se forjando novas lideranças sindicais constituídas por jovens com oratória eloquente e coragem para enfrentar o regime autoritário então vigente e o governo, reprimindo a ação dos partidos de esquerda no Polo Petroquímico, negava a concessão da carta sindical à ASPETRO, prendia alguns, demitia ou perseguia outros. A partir de 1978, o Polo já existia como parque industrial de importância nacional e a demanda de mão-de-obra qualificada superava em muito a oferta; a única alternativa da Petroquisa seria uma política salarial única que evitasse o aumento dos salários inflacionados pela carência de mão de obra especializada.  Política salarial unificada pressupõe interlocutores determinados e neste objetivo o governo dos militares não tinha mais porque evitar a existência de um sindicato obreiro no Polo Petroquímico.

Em março de 1978 a carta sindical foi conferida à ASPETRO que se transformou no Sindicato dos Trabalhadores na Indústria Petroquímica do Estado da Bahia – SINDIQUÍMICA. Evidentemente o Sindicato das Indústrias Petroquímicas do Estado da Bahia, ou seja, o sindicato patronal foi constituído alguns meses antes.  Assim, em pleno regime ditatorial, foi firmado o primeiro Acordo Coletivo de Trabalho entre as duas entidades, o que, se por um lado, foi um avanço, pois instituiu reajustes salariais acima da inflação, por outro acabou a prática de aumentos individuais por fábrica, advindos de disputas de mercado o que conjunturalmente elevava o valor dos salários.

Com a transformação da ASPETRO em SINDIQUÍMICA foram realizadas, em 1978, eleições para sua nova diretoria Essa diretoria tomou posse com forte característica de autenticidade não aceitando a imposição exercida pelo Estado de manter a atividade sindical de modo assistencialista. Não foi implantado nenhum serviço médico formal, não foram instituídos cursos regulares, barbearias ou quaisquer atividades que reduzissem a capacidade de emprego das finanças do órgão nas lutas classistas. Por outro lado, foi ampliado o espaço de debates, seminários, jornadas culturais visando a formação política da classe.

Surge o Sindiquímica

Em 1979, o SINDIQUIMICA representava o mais importante sindicato da Bahia, tanto pela importância do segmento econômico que representava como pela qualidade da sua direção.  Neste ano as comemorações do 1º de Maio foram efetuadas de forma conjunta com estudantes e partidos políticos e o SINDIQUIMICA passou a colaborar política e logisticamente com outras entidades de classe na direção da superação do regime ditatorial. Promoveu eventos políticos, artísticos e culturais entre trabalhadores de diversas categorias profissionais ajudando-as a reorganizarem seus sindicatos e contribuiu ativamente com as lutas estudantis pela retomada da UNE.

O SINDIQUIMICA participou ativamente da campanha pela Anistia Política que neste mesmo ano veio favorecer muitos dos antigos dirigentes da ASPETRO que não podiam participar oficialmente das atividades sindicais por motivo de condenações políticas. O SINDIQUIMICA assumiu importante papel na organização e politização do trabalhador baiano.

Na campanha salarial do ano de 1979, o SINDIQUIMICA saiu dos limites aceitáveis pelo governo militar.  Como fruto da luta dos trabalhadores, as organizações políticas que contestavam o governo militar puderam levar o SINDIQUIMICA a uma estrondosa vitória. Além de garantir reajustes trimestrais de salários pelo mecanismo de gatilho inflacionário, fato inédito em nível nacional, o SINDIQUIMICA conseguiu garantir a criação de comissões sindicais por local de trabalho com estabilidade no emprego. A Convenção Coletiva do SINDIQUIMICA passou a ser referência nacional abrindo brechas importantes na legislação autoritária de então.  A vitória política foi tão expressiva que o Ministério do Trabalho se negou a registrar a Convenção Coletiva por determinação direta da Casa Civil da Presidência da República e o instrumento normativo de trabalho somente foi cumprido pelas empresas pela força de grandes mobilizações dirigidas pelo sindicato.

Nesta época, o SINDIQUIMICA contribuiu com o Movimento Contra a Carestia, com o Movimento Negro, deu apoio ao Movimento em Defesa da Amazônia, ao Trabalho Conjunto de Bairros e a diversas articulações políticas de oposição ao regime, ajudando a organizar passeatas, congressos, caminhadas e movimentos diversos pela redemocratização do país.  No âmbito sindical para lutar contra a Lei de Greve 4.330/64, verdadeiro grilhão das lutas operárias, o SINDIQUIMICA mobilizou e uniu os sindicatos baianos mais organizados.

Em 1980 começa a criação das “Oposições Sindicais” que buscavam recolocar em uma postura de luta política e econômica os sindicatos submissos aos ditames do governo militar e o SINDIQUIMICA foi um verdadeiro berçário de “Oposições Sindicais”. Também em 1980 os organismos gestores do Polo Petroquímico, sempre buscando reduzir a representatividade do SINDIQUIMICA, conseguiram que o Ministério do Trabalho, através de portaria, excluísse da base do sindicato os trabalhadores da Central de manutenção do Polo – CEMAN.

Durante a campanha salarial de 1981 entram em greve as empresas Melamina e Isocianatos. Nestas empresas, as Comissões de Fábrica, fruto da vitoriosa campanha salarial de 1979, haviam sido implantadas e funcionavam como instâncias sindicais dentro das empresas. Como resposta, neste mesmo ano, o governo militar, através da Comissão de Enquadramento Sindical do Ministério do Trabalho, faz nova intervenção no sindicato, excluindo do SINDIQUIMICA a representação dos trabalhadores da Indústria de Produtos Químicos, Farmacêuticos, Material Plástico e Matéria Prima para Inseticidas e Fertilizantes, ficando os excluídos sem representação legal. Retiraram assim a Melamina e a Isocianatos da base representativa do sindicato.

Tais ações ao lado de buscar enfraquecer o SINDIQUIMICA, diminuindo a sua importância nos meandros da política baiana, abriam caminho para nova leva de demissões políticas, já que muitos dirigentes sindicais ficaram sem respaldo legal da estabilidade provisória. Como bônus, as empresas químicas ganharam o direito legal de cumprir ou descumprir as Convenções Coletivas de Trabalho ao seu talante.

Em 1982 entraram em greve os trabalhadores das empresas Melamina, Tibrás e Pronor exatamente aquelas onde o trabalho político era mais consistente. A partir deste ano o SINDIQUIMICA instituiu o Congresso Anual dos Trabalhadores tendo como participantes delegados eleitos nas fábricas com competência para delinear, anualmente, a linha programática do Sindicato. O SINDIQUIMICA criava assim um poderoso instrumento de mobilização e organização dos trabalhadores para a luta política e ideológica superando as barreiras da luta econômica. A resposta oficial se traduziu na demissão orquestrada pelos órgãos de segurança dos delegados sindicais vinculados a partidos ou organizações de esquerda.

Buscando despolitizar o Polo Petroquímico e colocá-lo nos limites da chamada “segurança nacional” o governo tentou criar, em maio de 1982, outra entidade sindical, a ASTIQUIMICA, projeto implementado diretamente pela Delegacia Regional do Trabalho. O projeto oficial foi sepultado por grande mobilização de trabalhadores que, aos milhares, tentaram se associar ao novo órgão sindical para poder eleger sua diretoria e quando impedidos de fazê-lo encontraram respaldo judicial para inviabilizar a criação do sindicato “chapa branca”.

Em 1983 o SINDIQUIMICA teve participação ativa na greve dos trabalhadores da Petrobrás nas refinarias Landulpho Alves, na Bahia e Paulínia, em São Paulo, bem como na luta posterior pela anistia aos demitidos nesta greve. Em 1984 a luta política pelas eleições diretas para presidente da república mobilizou o país e o Sindiquímica participou ativamente desta luta por decisão direta dos partidos e organizações de esquerda que através de seus quadros políticos influenciavam fortemente a diretoria do sindicato.

O III Congresso dos Químicos e Petroquímicos realizado em 1984 deliberou a criação de um novo órgão sindical que unificasse a divisão artificial dos trabalhadores em químicos e petroquímicos.  Foi criado o PROQUÍMICOS que mais tarde se transformou em sindicato fundindo-se ao SINDIQUIMICA sob a denominação de SINDIQUIMICA/PROQUIMICOS. Neste mesmo ano entraram em greve os trabalhadores da Melamina, Polialden, Nitrocarbono e Pronor, por melhores condições de trabalho e salários, tendo sido demitidos diretores e membros das Comissões de Fábrica e presas diversas lideranças sindicais.

Efetivamente, a politização do SINDIQUIMICA / PROQUÍMICOS chegou a limites insuportáveis para o governo. Não devemos perder de vista que o gerenciamento do Polo Petroquímico era função governamental delegada à Petroquisa, subsidiária da Petrobrás.  O parque industrial petroquímico era visto pelos governos militares como área estratégica de tal forma sensível que a presidência da Norquisa, dentro do modelo tripartite a holding controlada das empresas de 2ª geração do Polo Petroquímico de Camaçari, foi assumida por um ex-presidente da república que fez da petroquímica seu território privado. Segurança era a preocupação dos governos militares até o fim do último deles, preocupação que se estendeu pelo governo Sarney pelo menos até a promulgação da Constituição Federal de 1988.

Greve de 1985

Em agosto de 1985 a greve do Polo Petroquímico de Camaçari foi acontecimento inusitado a nível mundial. Pela primeira vez, na história das relações trabalhistas, um complexo industrial de tal porte paralisou suas atividades de forma programada e articulada acendendo o sinal de alarme de que as motivações do SINDIQUIMICA não eram somente econômicas, mas sim, políticas. A leitura das atas das negociações entre empregados e empregadores demonstra que os aspectos econômicos envolvidos estavam quase resolvidos.

As organizações de esquerda que controlavam o SINDIQUIMICA / PROQUIMICOS, cansadas de ver sua militância ser destroçada por anos de “caça”, demissões e inclusão em “listas negras”, avaliaram que o momento político era propício a uma grande demonstração de força que impusesse limites à ação repressiva dos órgãos de segurança. Avaliaram que com a vitória de Tancredo Neves, o fim do governo militar e os acontecimentos que culminaram na posse de Sarney, a deflagração de uma greve geral no Polo Petroquímico forçaria, como consequência das perdas econômicas advindas da paralisação das empresas, a uma mudança de interlocutores. A esquerda que havia combatido o governo militar avaliava que ter como adversários gerentes de recursos humanos, submetidos à lógica econômica empresarial, era melhor negócio que lidar com os remanescentes da velha guarda dos órgãos de repressão movidos a interesses ideológicos.

Os órgãos de segurança, ainda ativos e determinantes, aceitaram a greve como desafio final, aproveitando o movimento grevista para efetivar uma completa devastação contra os diretores do SINDIQUIMICA / PROQUIMICOS através da suspensão de contratos e demissão dos que estavam “protegidos” pela estabilidade conferida aos dirigentes sindicais. Com a demissão de centenas de ativistas, os órgãos de segurança instalaram o terror, fazendo uma verdadeira “limpeza de área” para somente, então, delegar aos órgãos de recursos humanos das empresas a administração dos conflitos trabalhistas. A demissão dos diretores e ativistas foi seu derradeiro ato de repressão violenta e o tributo que o SINDIQUIMICA / PROQUIMICOS teve que pagar pelos novos tempos.

A fórmula pragmática do general Ademar de Queiroz foi usada no Polo Petroquímico de Camaçari para punir duramente os trabalhadores mobilizados politicamente. Sob o escudo do direito potestativo de contratar e demitir, os órgãos de segurança promoveram, dentro da ótica de tratar qualquer pensamento discordante como o inimigo a ser destroçado, demissões eminentemente políticas.

Finalmente, vale aprender com a experiência advinda da história do SINDIQUIMICA / PROQUIMICOS que nem sempre as perseguições políticas e as punições por crime de opinião são efetivadas diretamente sob estes títulos. A tarefa de identificar as situações em que o embate político foi dissolvido na luta sindical deve ser objetivo das instituições direcionadas a fazer justiça frente aos atingidos pelos atos de exceção advindos do regime instalado em 1964.

A tarefa é difícil, mas não impossível. Poder-se-á fazer justiça com a análise minuciosa de cada caso concreto em que militantes políticos e dirigentes sindicais foram punidos, perderam seus empregos ou foram proibidos de trabalhar no curso da luta pela restauração da democracia no Brasil.

Anistia chegou com muita luta

Após as demissões políticas ocorridas em consequência da greve de 1985, o Sindiquímica/ Proquímicos deu inicio a uma grande batalha em busca da anistia para os companheiros demitidos. Foram anos de muita luta e também muito sofrimento daqueles que perderam seus empregos e, pior, não conseguiram nenhum tipo de trabalho, pois seus nomes foram incluídos nas chamadas “listas negras”, confeccionadas e divulgadas amplamente entre as empresas pelo regime militar. Há relatos de companheiros que perderam tudo e tiveram suas famílias desestruturadas. Sem dinheiro, sem trabalho, muitos passaram anos vivendo de favor em casas de parentes. Outros sucumbiram à depressão. Foram anos difíceis e alguns companheiros ainda não conseguiram se recuperar do trauma.

Mas isto não impediu que prosseguissem na luta. Os demitidos criaram uma comissão que recebeu o nome de Comissão de Anistiantes do Sindiquímica. Esta comissão se reuniu durante anos em caráter permanente na sede do Sindiquímica, em Salvador, onde acompanhavam passo a passo os processos que corriam na justiça. As ações, realizadas em conjunto com o Sindiquímica, alcançaram Brasília. Foram inúmeras as cobranças e cartas enviadas à Comissão de Anistia do Ministério da Justiça solicitando agilidade no julgamento.

Finalmente no dia 11 de setembro de 2008 foi instalada em Salvador a Caravana da Anistia, na Biblioteca Pública do Estado da Bahia, onde foram realizadas as 135° e 136ª sessões de julgamento. Na ocasião foram julgados 51 processos, dos quais 40 processos foram deferidos, 10 foram deferidos parcialmente e um adiado a pedido do procurador.

Os anistiados receberam do Estado brasileiro a declaração da condição de anistiados políticos, o direito de contagem de tempo de serviço, e muitos a reparação econômica. Para estes trabalhadores que foram perseguidos e perderam seus empregos durante a ditadura militar ou ao participar da mobilização de construção sindical e da Greve Geral de 1985, foi uma grande emoção ver seus direitos reconhecidos e constatar que sempre vale a pena lutar.

No dia 29 de fevereiro de 2012, a partir das 9h, no auditório da Cidade do Saber, em Camaçari, foram julgados, pela Comissão de Anistia, 109 processos. Com isso fecha-se um ciclo e começa a cicatrização de uma ferida aberta em uma época de dureza e perseguições. Anos depois, outros processos foram julgados e deferidos pelo Estado. Toda esta luta valeu a pena. A anistia e a reparação econômica são provas que a justiça pode até tardar, mas não falha. E como vêm repetindo os companheiros durante anos “A única luta que se perde é a que se abandona”.

Leia a Revista “A Greve do Polo de 1985

Homenagem

Nossa homenagem aos valorosos companheiros grevistas que foram demitidos por participar da greve de 1985. A partir de setembro de 1988, o estado brasileiro iniciou o processo de anistia e reparação econômica. Eles são:.

  1. Adalberto Gomes Guimarães
  2. Ailson Borges de Sales (in memoriam)
  3. Alberto Passos da Silva
  4. Aldemar Arnold de Góes Moreira
  5. Aleinaldo Batista Silva
  6. Alfredo Santana Santos
  7. Alírio Santos Sousa
  8. Amaíse Tavares Batista
  9. Ana Maia Spinola Sodré
  10. Anísio Celso dos Santos Filho
  11. Antônio Augusto Galvão de Araújo
  12. Antônio Carlos Santos da Silva
  13. Antônio Nivaldo Almeida Lima
  14. Antonio Raimundo Barreto Sodré
  15. Antônio Raimundo Figueiredo Barbosa
  16. Antônio Raimundo Santos Moreira (in memoriam)
  17. Antônio Vieira Filho
  18. Ariston Xavier de Santana
  19. Arthur Newton Bahia de Lemos
  20. Augusto César de Castro da Rocha (Alminha)
  21. Bento Sérgio Dantas Barbosa
  22. Berneval Ferreira dos Santos
  23. Bruno Nogueira Costa
  24. Carlos Alberto Alves Sales
  25. Carlos Alberto das Neves
  26. Carlos Alberto de Jesus
  27. Carlos Alberto Lima da Silva
  28. Carlos Antônio Dias Freitas
  29. Carlos Antônio de Pinho Protásio
  30. Carlos Eduardo da Silva Gomes (in memoriam)
  31. Carlos Henrique Pedreira Santos
  32. Carlos Martins Marques de Santana
  33. Carlos Orlando Oliveira Cerqueira
  34. Clélio Eduardo Gomes
  35. Cloves Alves Sales
  36. Clóvis Loureiro de Santana
  37. Constantino Fernández Soto
  38. Dagoberto da Silva Lemos
  39. Domingos Fernando de Jesus
  40. Edmundo Dias de Farias
  41. Edmundo Leal Pereira (in memoriam)
  42. Edson de Souza Bembem
  43. Edson Luiz Coelho
  44. Edson Paim de Oliveira
  45. Edson Régis
  46. Edson Rosa Trindade (in memoriam)
  47. Edson Santos
  48. Elio José Pattacini
  49. Eliseu Silva dos Reis
  50. Elitieri Batista Santos Filho
  51. Elsione de Souza Braga
  52. Erisvaldo Manoel de Santana
  53. Ernalto Santos de Oliveira
  54. Euro Oliveira de Araújo
  55. Eustáquio de Santana Neto
  56. Everaldo Cruz Alves
  57. Everaldo Mariano dos Santos
  58. Fernandes Paulo Ferreira Marins
  59. Fernando Jorge Ferreira Cunha
  60. Francisco Belchior Santana Souza (in memoriam)
  61. Francisco Martins Rodrigues
  62. Franklin José Nunes da Silva
  63. Geraldo Guedes Filho
  64. Gérson Cândido Rocha Filho
  65. Gérson da Silva Marins
  66. Gilberto Fernandes da Silva (China)
  67. Gilberto Mecias de Souza
  68. Gileno Pereira dos Santos
  69. Gilvan Vieira Torres
  70. Hamilton Barreto dos Santos
  71. Hamilton Sacramento dos Santos
  72. Harry dos Santos Leal
  73. Hélder Augusto Barreto Sodré
  74. Hélio Albano
  75. Hélio Francisco dos Santos (in memoriam)
  76. Hélio José Fontes
  77. Herval Alves de Queiroz
  78. Isaltino Inácio Lira dos Santos
  79. Jailton Nunes de Morais
  80. Jailton dos Santos Matos
  81. Jan Ferreira dos Santos
  82. Jeová Gomes Brandão
  83. João Agostinho de Santana (in memoriam)
  84. João Carlos Dantas
  85. João de Deus dos Santos
  86. João Nunes Barbosa
  87. João Otávio Moura Menezes
  88. João Rafael Pedreira Araújo
  89. Jones de Oliveira Carvalho
  90. Jorge Galileu Ramos
  91. Jorge Geraldo dos Santos
  92. Jorge Gualberto Lima
  93. Jorge Serva de Araújo
  94. José Ailton Ferreira Rodrigues
  95. José Alberto Almeida da Cruz (Zuggi)
  96. José Antônio Fernández Soto
  97. José Antônio Serrano
  98. José Antônio Tebaldi Castellano
  99. José Augusto da Silva (in memoriam)
  100. José Bento dos Santos Carvalho
  101. José Carlos Bahiana Machado Filho (in memoriam)
  102. José Carlos Barreto Sodré
  103. José Carlos Paolillo Costa
  104. José Carlos Pires Nascimento
  105. José Costa Santana
  106. José Cristóvam do Sacramento
  107. José Fernando Narciso Alves
  108. José Gonçalves dos Santos (Quench)
  109. José Ivan Dantas Pugliese
  110. José Lázaro Moreira Passos
  111. José Magalhães de Oliveira
  112. José Pereira Palma Júnior
  113. José Pinheiro Almeida Lima
  114. José Ribeiro Rodrigues
  115. José Rodrigues de Souza Neto (Matota)
  116. Jufran de Souza Guimarães
  117. Juilson Fernandes dos Santos
  118. Jurandy Silva Lemos
  119. Jurany Coutinho de Alcântara
  120. Justiniano José Cordeiro Almeida
  121. Laci Plácido Pimentel Filho
  122. Lázaro Antônio Ribeiro Costal
  123. Luiz Bastos Rodrigues
  124. Luiz Ferreira de Souza (Ferreirão)
  125. Luiz Henrique de Souza Oliveira
  126. Luiz Gonzaga Montay
  127. Manoel dos Reis Nunes Viana
  128. Marcos Medeiros
  129. Marialdo Ribeiro Filho
  130. Mário Alves de Araújo
  131. Mário Moraes Lima
  132. Mário Zózimo Amorim Junior
  133. Milton Carlos Facchinetti Maltez Leone
  134. Moisés Ferreira Andrade
  135. Natanael Francisco dos Santos
  136. Nathaniel Braia
  137. Osvaldo de Araújo Fernandes Sobrinho (in memoriam)
  138. Osvaldo Luiz de Carvalho Pires (Bola)
  139. Otacimar Sousa Cardoso
  140. Pânfilo Sérgio Sotero (in memoriam)
  141. Paulo Anésio França de Matos
  142. Paulo Sérgio das Neves
  143. Pedro Cerqueira Lima
  144. Raimundo dos Santos Borges
  145. Raimundo Jorge Freitas da Silva
  146. Raimundo Muniz da Cruz
  147. Renato Barbosa dos Anjos
  148. Roberto Prado Ribeiro
  149. Roberto Sérgio Silva Coelho
  150. Romar Antônio da Silva Eloy
  151. Romário José Fontes
  152. Ronaldo Antonio Torres Cruz
  153. Roque Odilon Leite
  154. Rui Costa dos Santos
  155. Salvador Brito de São José
  156. Sebastião Paulo Dourado
  157. Sócrates José Calmon Santos
  158. Sonildo Cerqueira de Oliveira
  159. Ubaldo Teixeira Silva
  160. Ubiratan Souza da Costa
  161. Umbelino dos Santos
  162. Valdomiro Ribeiro dos Santos
  163. Valnei José Barbosa
  164. Valter de Jesus Oitabem
  165. Valter Gomes da Silva (in memoriam)
  166. Valter Guedevile Pena
  167. Valter Ribeiro da Silva
  168. Waldemiro Borges Fernandes (in memoriam)
  169. Walmir Gervásio Neves (in memoriam)
  170. Walter Rodrigues Vasconcelos
  171. Wilson da Cunha Adôrno

 

(Agradecemos aos integrantes da Comissão de Anistia: Zuggi Almeida, Osvaldo “Bola” Pires, José Bahiana Machado (in memoriam) e ao diretor do Sindiquímica, José Pinheiro, pelas contribuições para a divulgação deste material)

e-max.it: your social media marketing partner