Sindicalistas defendem indústria petroquímica nacional e vinculada à Petrobrás

Sindicalistas defendem indústria petroquímica nacional e vinculada à Petrobrás

Integrantes da Rede Sindical de Trabalhadores na Braskem se reuniram, nos dias 20 e 21, em Lauro Freitas/BA, para discutir principalmente a possível venda da empresa para a multinacional holandesa LyondellBasell. Com posição contrária ao negócio, os sindicalistas discutiram os impactos da transação nos empregos e na cadeia produtiva. O evento reuniu sindicatos onde a Braskem tem unidade no Brasil.

Durante o Encontro dos Trabalhadores na Braskem, os presentes defenderam a indústria petroquímica brasileira e reforçaram a posição histórica de que o segmento deve estar vinculado à Petrobrás comprometido com os interesses nacionais e com o fortalecimento, não só da primeira e segunda geração da cadeia petroquímica, como os outros setores ligados à petroquímica.

Na quinta-feira (20), a mesa de abertura contou com a participação da prefeita de Lauro de Freitas, Moema Gramacho, da presidenta da CNRQ-CUT, Lucineide Varjão, e do diretor da CUT e do Sindiquimica/BA , Alfredo Santana. Na sua saudação, a prefeita Moema lembrou que na Câmara dos Deputados ajudou a criar a Frente Parlamentar da Indústria Química que teve atuação fundamental nas lutas contra a internacionalização do setor petroquímico e a venda dos campos do pré-sal e  Petrobrás neste governo golpista Temer (MDB).  Convocou os dirigentes sindicais a continuar lutando contra o golpe e pediu para denunciar o discurso de combate a  corrupção usado pela elite golpista para mascarar os interesses econômicos nacionais e internacionais de privatização das empresas estatais com objetivo de obter o lucro imediato.

Os trabalhos da Rede foram iniciados pelo diretor do Sindicato dos Metalúrgicos (BA) e ex-diretor adjunto da Industriall Global Union, Fernando Lopes, que falou sobre fusões e aquisições nos mercados globais. Lopes sintetizou o funcionamento dos mercados globais através do  funcionamento das cadeias de suprimentos,  da concentração do capital internacional (10 grandes grupos) e separação de empresas e rendas.

Ainda sobre mercado internacional, o diretor da Central Sindical Internacional (CSI), Ivan Gonzales explicou o funcionamento das cadeias globais de produção. Segundo ele a OIT, no informe preparatório para a discussão sobre o tema de Trabalho Decente nas Cadeias Globais de Produção do ano de 2016, destacou que em 40 países, 66% da força de trabalho mundial está associada às cadeias globais, passando de 300 milhões de dólares em 1995 para mais de 450 milhões em 2013, e mais de 2/3 estão concentrados nos países emergentes,  com  predominância nos setores de equipamentos eletrônicos, têxtil, metalurgia, equipamentos de transporte e indústria química. Somente 50 empresas possuem em conjunto a riqueza equivalente a 100 países.  Estas 50 empresas unicamente empregam 7% dos trabalhadores em relação direta de emprego e 93% de mão de obra pública, e pagam menos tributos.

Ainda pela manhã, o diretor do Sindiplasba, Luis Oliveira, falou sobre os reflexos da venda da Braskem para a cadeia produtiva local e nacional. O empresário apresentou destaques financeiros e operacionais da Braskem (rentabilidade, produção, lucro). A  taxa de ocupação da indústria petroquímica está em alta, a Braskem tem uma receita líquida de R$ 49 bilhões, em 2017 e para ele o grupo Odebrecht vai se desfazer da Braskem para  reduzir a dívida financeira no mercado nacional e internacional. Ele manifestou preocupação com o fechamento dos postos de trabalho depois da venda da Braskem. Hoje a empresa gera mais de 11 mil empregos diretos e indiretos na Bahia.

No segundo dia (21),  os temas discutidos foram: desempenho da Braskem nos últimos anos; o cenário da petroquímica brasileira no próximo período e qual o perfil da multinacional LyondellBasell, interessada na Braskem. A técnica do Dieese, Rosângela Vieira, explicou que o anúncio da negociação da venda da participação da Odebrecht na Braskem para a transnacional holandesa LyondellBasell deverá alterar os rumos de toda a cadeia petroquímica mundial. A composição societária da Braskem, conforme relatórios da própria companhia, é formada basicamente pela participação da Odebrecht, que possui 50,1% do capital votante e 38,3% do capital total, e da Petrobras, detentora de 47,0% do capital votante e de 36,1% do capital total. E concluiu que a iminente possibilidade de desnacionalização da principal empresa do setor deve acarretar inúmeros prejuízos e pode representar o fim de qualquer articulação do Estado com a cadeia produtiva, comprometendo as indústrias da terceira geração e, inclusive, outros setores demandantes. Rosângela também apresentou dados sobre o organograma e estrutura  da LyondellBasell, estrutura produtiva, a presença global do grupo e unidades no Brasil e os resultados financeiros.  A LyondellBasell é uma produtora líder mundial de eteno, propeno e polietileno e maior produtor mundial de polipropileno. Os polímeros são utilizados em processos de extrusão, moldagem por sopro e moldagem por injeção para uma ampla variedade de mercados finais, incluindo embalagens de alimentos e bebidas, construção, fios e cabos e mercados automotivos.

O diretor do Sindiquímica, Mauricio Jansen, apresentou informações sobre o desempenho financeiro e os programas gerenciais da Braskem no Brasil e no mundo. Jansen resgatou também as origens da criação da indústria petroquímica nacional e sua evolução. O dirigente sindical acredita que não haverá demissões em massa depois da venda da Braskem. O que foi questionado pelos sindicalistas.

A partir dos debates e encaminhamentos do encontro, a Rede prepara a "Carta de Lauro de Freitas" que será divulgada oportunamente aos candidatos à presidência, à Braskem e à sociedade. No documento, os sindicalistas defendem sua posição contrária a venda da Braskem para uma multinacional e o empenho em defesa de uma petroquímica ligada à Petrobrás, comprometida com os interesses nacionais e com o fortalecimento do setor plástico para que mais empregos e riqueza sejam gerados para os brasileiros.

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